PADRE MARCELO ROSSI



Ricardo Feltrin

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    Record libera Xuxa para receber padre Marcelo Rossi em seu programa

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    Notícia publicada , Quinta-feira 5 março 2015, 18:33
    Record libera Xuxa para receber padre Marcelo Rossi em seu programa: 'Sem preconceito'
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    Record libera Xuxa para receber padre Marcelo Rossi em seu programa: 'Sem preconceito' Nessa foto: Xuxa Meneghel

    Agora é oficial! Depois de muita especulação, Xuxa foi finalmente anunciada como nova apresentadora da Record nesta quinta-feira (5). No evento montado na sede da emissora, em São Paulo, para divulgar a contratação, o vice-presidente artístico e de produção do canal, Marcelo Silva, disse que a rainha dos baixinhos terá liberdade em seu programa.
    Segundo o executivo, ela poderá receber convidados ligados a outras religiões, como Padre Marcelo Rossi, amigo da artista. Como se sabe, a Record é de propriedade de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, e possui em sua diretoria vários membros da instituição religiosa. O próprio Marcelo Silva é bispo da Universal.

    "Não existe preconceito na emissora. Uma vez o chamamos e ele recusou", disse o vice-presidente artístico, citando Marcelo Rossi, que foi inúmeras vezes nos programas de Xuxa na Globo, participou de discos da apresentadora, assim como ela marcou presença em um álbum dele.
    'Não quero que ninguém fale mal da Globo'
    No bate-papo com a imprensa, Xuxa - que disse que vai ser mais feliz na Record - deixou claro que não tem mágoas de sua agora antiga emissora. "Tenho uma história de boas lembranças com a Rede Globo. Não irei apagar isso da minha história. Não quero que ninguém fale mal da casa onde vivi e avisei isso para o Marcelo. Agora, se a Globo irá se lembrar de mim nos próximos 50 anos, não posso responder por eles", disse, francamente.
    "Foram quase 29 anos na Rede Globo, é dificil cair a ficha. Quando entrei na Record pensei: 'Caramba, estou na Record'. Talvez demore um pouco pra cair a ficha, mas estou muito feliz. A Record está atendendo a todas as minhas vontades. Posso fazer o que quiser no programa. Estou até assustada com isso", brincou a apresentadora.
    'Acho impossível estrear em dois meses'
    Sobre seu futuro programa, Xuxa confirmou o que já havia sido divulgado: a Record quer transformar a loira em uma espécie de Ellen DeGeneres brasileira, comediante norte-americana que apresenta seu próprio talk show na rede NBC. Atrações voltadas para os baixinhos serão feitas só em datas especiais, como Dia das Crianças e Natal.
    "Minha inspiração é a Ellen. Não ser a Ellen, mas o programa é uma inspiração", disse Xuxa. "Saindo daqui terei uma reunião para montar equipe. Não conheço os profissionais da casa ainda. Tenho liberdade para trazer o meu pessoal", afirmou a loura, que preferiu não dar prazos. "O Marcelo quer que o programa esteja no ar em dois meses, mas acho impossível porque sou muito exigente".

     
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    31.out.2004 - Padre Marcelo Rossi joga balde de água benta em fiéis durante cerimônia em São Paulo João Wainer

    O padre Marcelo Rossi teve seus passos, CDs, livros, missas e aparições na TV seguidos de perto pelo Vaticano do final dos anos 90 até cerca de quatro anos atrás.
    A investigação, que durou quase 10 anos, foi provocada por uma denúncia feita por um religioso brasileiro, que acusou o padre de culto ao personalismo, exibicionismo por ir demais às TVs, de desvirtuar as práticas católicas e de transformar a missa em uma espécie de "circo".
    A investigação foi comandada pela Congregação para a Doutrina da Fé, liderada pelo cardeal Joseph Ratzinger, que mais tarde se tornaria o papa Bento 16.  ACongregatio pro Doctrina Fidei é o novo nome que o Vaticano dá para a assassina Inquisição.
    O UOL apurou com exclusividade que, entre o final dos anos 90 e a década de 2000, a Congregação recebia regularmente vídeos com as participações do padre Marcelo em programas como o de Gugu Liberato no SBT e de Fausto Silva, na Globo.

    PADRE MARCELO CANTA "AERÓBICA DO SENHOR" NA TV

    A Cogregatio matou na fogueira, por asfixia ou afogamento centenas de milhares de pessoas no mínimo entre os séculos 12 e século 19 (mas há relatos de incipientes matanças já no século 10).
    A Inquisição também calou, excomungou ou proibiu de ensinar milhares de padres e freiras ao redor do mundo até o presente.
    Procurada, a assessoria do padre Marcelo e do bispo dom Fernando, da Mitra de Santo Amaro, superior direto do padre, disseram desconhecer a investigação. A assessoria do padre afirma que, "se isso realmente ocorreu, trata-se de um fato do passado."
    O Vaticano, por meio de sua embaixada no Brasil, se recusou a se manifestar a respeito.
    Procurada por telefone e por e-mail durante vários dias, a CNBB também se calou sobre o fato.
    A investigação foi feita no Vaticano ao mesmo tempo em que ocorriam outras centenas de investigações a respeito de outros padres, freiras e bispos ao redor do mundo.
    A Congregação costuma se reunir aos sábados, no Vaticano.
    PERTO DA SUSPENSÃO
    A reportagem do UOL levantou junto a fontes da Santa Sé que o padre Marcelo Rossi e o bispo dom Fernando estiveram a ponto de serem chamados ao Vaticano para prestar contas, no final de 2004 e início de 2005.

    José Patrício/Folhapress
    Padre Marcelo Rossi e dom Fernando rezam missa em abril de 2004

    O padre esteve próximo de ter suas atividades suspensas, bem como a publicação de livros e CDs --por pressão do denunciante, cuja identidade o Vaticano mantém oculta sob sete chaves. Ele não poderia mais celebrar missas, ouvir confissões e dar a hóstia.
    Curiosamente, o que acabou por livrar padre Marcelo da punição foi a morte do papa João Paulo 2º, em abril de 2005, quando praticamente toda a atividade da Congregação para a Doutrina da Fé foi interrompida com a eleição de Ratzinger para o posto de novo papa. Ele era o "prefeito" da congregação.
    BARRADO NO BAILE
    Em 2007, padre Marcelo tentou se reunir com papa Bento 16 durante a visita deste ao Brasil.
    No entanto, o padre foi impedido de se encontrar com Bento 16. Segundo dados obtidos pelo UOL, quem impediu o papa de aceitar o encontro foram funcionários da Congregação que estavam presentes na comitiva de Bento 16.
    Segundo eles, não cairia bem ao papa receber um religioso que estava "sob investigação". Bento 16 concordou e se recusou a receber Marcelo Rossi no mosteiro de São Bento. O padre o aguardara desde as 5h e mal havia dormido, de tão ansioso que estava pelo encontro.
    Na ocasião, o UOL publicou reportagem contando o ocorrido, sobre o impedimento do padre, com exclusividade. Padre Marcelo então negou veementemente que isso tivesse acontecido.
    Dois anos atrás, porém, em entrevista à revista "Veja", o padre se retratou e confirmou que a reportagem estava correta e que, sim, fora barrado pela comitiva de Bento 16.
    O que o padre não sabia era que o veto se devia à investigação a que ele estava sendo submetido pelo Vaticano.
    No final de 2009, a Congregação decidiu encerrar as investigações sobre padre Marcelo. Ele foi inocentado de todas as falsas "acusações".

    Arquivo pessoal
    O padre Marcelo Rossi foi recebido por Bento 16, no Vaticano, em 2010

    Em 2010, o padre finalmente foi recebido por Bento 16, no Vaticano, e este lhe outorgou um prêmio de Evangelizador Moderno, concedido pela Fundação São Mateus.
    Foi o final feliz para quase dez anos de suspeitas sobre o trabalho do padre, que chamou a atenção desde que um de seus CDs vendeu quase 3,5 milhões de cópias e se tornou um fenômeno social e midiático.

    RICARDO FELTRIN

    Ricardo Feltrin, 50, é colunista do UOL, onde apresenta o programa Ooops! às segundas, e também colunista do F5, site de entretenimento da Folha. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros.






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    LIVRO = KAIRÓS.

    10 - Maio - 2013.
     
     
     
    Quase três anos depois do lançamento de "Ágape", maior fenômeno editorial brasileiro, que teve seus direitos vendidos para mais de 30 países e adaptação para o público infantil, chega às livrarias "Kairós", o novo livro de Padre Marcelo Rossi.
    Os leitores que se emocionaram ao conhecer o amor incondicional, o Amor Ágape, irão renovar a sua fé com "Kairós", que conta com prefácio do padre Fábio de Melo. No livro, Padre Marcelo parte da palavra grega kairos, que significa “momento certo”, para falar sobre o tempo de Deus em oposição ao khronos, o tempo cronológico, o tempo dos homens.
    O autor selecionou passagens da Bíblia com personagens como Abraão, Moisés, José do Egito, Isaías, Maria, Jó e Zaqueu, que passaram por situações de incompreensão, sofrimento e provação e, mesmo assim, souberam esperar pelo tempo de Deus, pelo seu kairos. Todos eles tiveram as suas vidas transformadas no momento que Deus julgou oportuno. Após cada trecho bíblico citado, reflexões e comentários do Padre Marcelo convidam o leitor a refletir sobre suas próprias angústias e a fortalecer a sua fé.
    O livro também destaca a importância da oração e apresenta no final de cada capítulo uma prece especial para ajudar os leitores a permanecerem perseverantes na fé e confiantes no poder de Deus. Kairós traz ainda uma bênção do Padre Marcelo dedicada exclusivamente aos leitores.
    Da mesma maneira autêntica e carismática que conversa com milhões de brasileiros em seus programas de rádio e televisão, Padre Marcelo se comunica com os fiéis em Kairós para levar a eles os ensinamentos religiosos e conforto espiritual.
    Nos 14 capítulos do livro, o autor busca fortalecer nos leitores a certeza de que Deus tem um tempo reservado para cada um de seus filhos. Nas palavras de Padre Marcelo, “tão importante quanto entender o amor Divino, é entender o tempo de Deus. Só assim é que conseguimos controlar nossas ansiedades e cultivar nossa paciência. Quem compreende o Kairós, alcança o Ágape”.
     
     

    14/12/2012 - 06h00

    Sucesso do padre Marcelo Rossi traz lições de empreendedorismo

    Rose Mary Lopes *
    Colunista do UOL, em São Paulo


    • Padre Marcelo Rossi faz missa de Dia de Finados, em seu novo templo, em São Paulo (SP)Padre Marcelo Rossi faz missa de Dia de Finados, em seu novo templo, em São Paulo (SP)
    Gostaria de me debruçar sobre alguns exemplos de empreendedorismo ligados às religiões. Parece-me que há lições a serem tiradas deles, tanto no sentido de empreendedorismo, intraempreendedorismo, com a realização de diversos projetos, inovação, criação e lançamento de vários produtos, expansão por meio de múltiplos canais de distribuição, e até de internacionalização.

    Iniciemos na Igreja Católica. Focalizo, inicialmente, o padre Marcelo Mendonça Rossi, que após formação em Educação Física, por situações difíceis vividas por sua família, fez a formação em Filosofia e Teologia e se ordena padre em 1994. Torna-se sacerdote católico a serviço da divulgação da fé católica por meio de diferentes meios de comunicação, desenvolvendo seu trabalho de acordo com o Movimento da Renovação Carismática Católica.
    Já em 1998, muito embora não tenha sido o primeiro padre a atuar como cantor, lança seu primeiro álbum que se torna um fenômeno de mídia, vendendo mais de 3,3 milhões de CDs. De lá para cá já lançou outros CDs, se tornou um campeão de vendas, ultrapassando mais de 12 milhões de discos.
    E não parou por aí. Também participou como ator em filmes religiosos e mais recentemente, ao se tornar escritor, alcançou o topo das listas dos mais vendidos no País. Seu livro, "Ágape", vendeu mais de 8,2 milhões de cópias. Na esteira desse best-seller foram lançados outros produtos: CD com o mesmo nome que já vendeu mais de 1,9 milhão de cópias.
    Voltado ao público infantil foi lançado o livro "Agapinho", atingindo mais de 600 mil cópias. O DVD "Ágape Amor Divino" já passou de 302 mil cópias, e o seu CD, mais de 203 mil.
    Esse intraempreendedor, ligado à Diocese de Santo Amaro, se tornou uma celebridade, arrastando multidões, caravanas de diversas cidades para participar das missas e dos encontros/eventos liderados por ele. Tanto é que o local em que as missas aconteciam tornou-se pequeno. Daí surgiu o projeto de construir uma igreja capaz de reunir o crescente número de fiéis.
    Imaginem o que custa comprar um terreno de 30mil m² na região de Santo Amaro, em São Paulo! Em 2004 teria custado R$ 6 milhões, pagos parcialmente pela igreja (graças às doações e arrecadações diversas) e metade por doação de um grande empreendedor – Antonio Ermírio de Moraes.
    Padre Marcelo não sonhou pouco: nada mais do que um grande arquiteto para projetar o Santuário de Nossa Senhora Mãe de Deus – Theotókos. Ruy Ohtake o projeta para se tornar um grande local para reflexão e meditação. Segundo o arquiteto, o santuário abriga 20 mil pessoas na área coberta e mais 60 mil na descoberta (o Padre fala em 80 mil).
    Imaginem quanto custou erigir esse santuário e com quais recursos! E, numa época em que tudo encareceu com o aquecimento do mercado imobiliário e de construção. Certamente muito dinheiro.
    Porém, o padre Rossi produziu, a partir de 2010, os produtos que foram vendidos para possibilitar a construção: toda a renda da família de produtos Ágape - livros, CDs e DVD – estão bancando a construção que, segundo a revista "Veja", já teriam gerado a maior parte dos R$ 25 milhões já investidos. Realmente, uma solução muito empreendedora.
    Com isso, a inauguração já ocorreu em 2 de Novembro de 2012. Para atender às dezenas de milhares de fiéis, cerca de 50 mil hóstias são distribuídas por missa. Muitos voluntários – cerca de 300 (de 2000 cadastrados) - ajudam nas missas e em outros eventos, além de cerca de 50 coroinhas (entre 200 que se rodiziam para auxiliar em funções diversas). Afinal, pensem no que é receber, acomodar e orientar cerca de 80 a 100 mil pessoas nas grandes celebrações.
    Ou seja, desde o agendamento das caravanas, área de estacionamento, sinalização, estrutura com banheiros, lanchonete, loja de produtos e lembranças e livraria. Como veem, parte da estrutura também é geradora de receita.
    E ainda falta equipar o santuário. A solução? Padre Marcelo já aprendeu o caminho empreendedor: lançar mais produtos, quais sejam, novos livros que, se espera, venderão bem a ponto de gerar o capital necessário para bancar os bancos, as portas, enfim, os acabamentos necessários. Afinal, os católicos mostram-se clientes ávidos por novas mensagens e indicações de como melhorarem-se nesta vida, à espera da próxima.
    E mesmo se você não for fiel, reflita sobre as lições de intraempreendedorismo que o padre Marcelo nos oferece: perceba que sempre há caminhos alternativos para realizar os seus sonhos, projetos e missão de vida. E que, para isso, é necessário ter iniciativa, perceber as oportunidades, arregaçar as mangas, criar produtos e serviços e fazê-los chegar ao seu público-alvo, e realimentar o processo.

    Rose Mary LopesRose Mary Lopes, Professora e coordenadora do núcleo de empreendedorismo da ESPM


     
     
    03/11/2012 - 04h30

    Análise: Padre Marcelo busca catolicismo de massas, mas menos atento às questões sociais



    RICARDO MARIANO - ESPECIAL PARA A FOLHA

    A guinada conservadora católica, o acelerado declínio numérico da filial brasileira da Santa Sé e a avalanche pentecostal acirraram a competição entre católicos e evangélicos a partir de 1980. Essa peleja deflagrou uma disputa religiosa pelo espaço público e uma desenfreada ocupação religiosa da mídia e da política partidária.
    Desde então tele-evangelistas, padres-celebridades e cantores gospel tornaram-se onipresentes na mídia eletrônica, emissoras de TV pentecostais e católicas brotaram como cogumelos, rebanhos religiosos viram-se tratados como currais eleitorais, igrejas passaram a formar bancadas parlamentares, a expandir seu poder nos legislativos e a controlar partidos, discursos moralistas reacionários de inspiração bíblica tomaram de assalto as eleições.
    A ocupação religiosa do espaço público, sobretudo nas capitais e regiões metropolitanas, tornou-se ainda mais monumental, mais espetacular e mais triunfalista. Tudo para causar o maior impacto evangelístico, gerar a maior visibilidade pública e revestir seus líderes e suas organizações religiosas de maior poder, status e legitimidade.
    Foi por isso que católicos, liderados por carismáticos e suas comunidades, e neopentecostais, turbinados pela famigerada teologia da prosperidade, trataram de investir pesado em megaeventos, megasshows, megamarchas e megamissas e torrar fortunas na construção de imponentes santuários e catedrais.
    Não é à toa que a inauguração do maior templo católico da América Latina ocorra nesse contexto de vigoroso ativismo religioso e de midiatização da religião intensificado por uma concorrência inter-religiosa sem precedentes na história nacional.
    Autor do slogan "sou feliz porque sou católico" e líder religioso mais popular do país, padre Marcelo Rossi foi o idealizador do Santuário Theotokos "" Mãe de Deus. A fim de resgatar as ovelhas desgarradas do rebanho e de impedir o "avanço das seitas", o sacerdote multimídia, multitarefa e workaholic tem trabalhado, em ritmo toyotista anos a fio, como cantor, ator, escritor, radialista e tele-evangelista, militado no Twitter e no Facebook e, de quebra, acolhido romarias de políticos às missas em busca da bênção nas urnas. Em reconhecimento a seus feitos, o papa Bento 16 lhe deu o Prêmio Van Thuân, em 2010.


    No novo santuário, Marcelo Rossi ocupará um palco muito maior e mais reluzente para cantar seus louvores e baladas, coreografar a "aeróbica do Senhor", receber celebridades, agitar, entreter e emocionar as multidões de seguidores, benzer seus objetos pessoais e lançar-lhes baldes de água benta ao fim de cada show-missa.
    Assim ele vai contribuindo para configurar um catolicismo de massas alegre, corpóreo, sensorial, emotivo, mágico, midiático, terapêutico, taumatúrgico, moral e teologicamente conservador. Mais popular, mas menos intelectualizado e menos atento aos problemas socioeconômicos.


    RICARDO MARIANO, professor da PUC-RS, é autor de "Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil" (Loyola)





    02/11/2012 - 18h18

    Dia de Finados é transformado em festa em templo de padre Marcelo


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    BRUNA BORGES
    GASTÓN GUILLAUX
    MIGUEL MARTINS
    DE SÃO PAULO
    Tradicionalmente marcado por homenagens nostálgicas, o Dia de Finados foi celebrado com uma animada festa no novo templo do padre Marcelo Rossi, o Santuário Mãe de Deus, nesta sexta-feira (2).
    "Um dia, que era um dia morto, foi transformado", afirmou o padre. Há 13 anos, o sacerdote realiza megaeventos no dia 2 de novembro, pregando que a data não deve ser marcada por sofrimento.
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    O governador Geraldo Alckmin, em seu discurso durante a missa, também filosofou sobre a data. "Hoje é um dia de saudade, mas não é de tristeza, porque estamos na casa da mãe", disse fazendo alusão tanto ao santuário quanto ao tema da missa inaugural.
    Os espectadores já cantavam com entusiasmo uma hora antes da missa. Nas apresentações musicais do padre era difícil ver alguém que não o acompanhava. O público vibrou quando Agnaldo Rayol e Alexandre Pires foram convidados a assumir o microfone no altar. Eles interpretaram "Ave Maria" e "Senhor, eu sei que tu me sondas", respectivamente.
    A aposentada Maria de Fatima da Silva Lima, 41, tinha outros motivos para celebração. Ela é voluntária do Instituto das Pessoas com Deficiência da Anhanguera, que cuida de crianças e adolescentes com deficiência física. Muitas das crianças do instituto estavam presentes na primeira fila, inclusive sua filha. Ela cantou e chorou durante boa parte da missa.

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    Reinaldo Canato/Folhapress
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    No entanto, Maria de Fátima não deixou de fazer uma crítica ao evento. "Falta de organização e acessibilidade, que é um direito por lei. Para que eles estivessem aqui, nós tivemos que fazer um pouco de barulho", afirmou.
    Já Valdilene Silva de Souza, 44, veio em uma caravana e terminou na área VIP. Por sorte, conseguiu um convite na porta do templo para poder assistir à missa em um local privilegiado. "O que mais me emocionou foi ver de perto o Marcelo Rossi e o Alexandre Pires", tietou.
    ORGANIZAÇÃO
    Quem não garantiu lugar logo cedo, improvisou levando sua própria cadeira.
    Um expectador que demonstrou grande alegria em participar do evento foi José Carlos Alves. Técnico em eletrônica, ele trabalha como voluntário vendendo lanches nas missas há 8 anos. "Não consegui dormir de tanta ansiedade", comentou ele, que começou a trabalhar às 2h.
    Nos principais momentos da missa, a multidão balançava lenços brancos efusivamente. Para os desprevenidos, existiam voluntários da igreja vendendo paninhos a R$ 5, mesmo durante a celebração.

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