sexta-feira, 4 de maio de 2018

LIÇÕES DO FILME "CASA DE PAPEL ".

INSPIRA

Ideias para uma vida mais plena

Dicas da consagrada "La Casa de Papel" impulsionam sua carreira

Reprodução
La Casa de PapelImagem: ReproduçãoUniversa

04/05/2018

HELOISA NORONHA PARA : UNIVERSA. 
Uns amam os protagonistas (ou melhor, os anti-heróis) e a estética marcante; outros reclamam do excesso de drama e de alguns furos da história. Porém, quem já viu ou ainda está acompanhando os 22 episódios divididos em partes 1 e 2 de "La Casa de Papel", à disposição na Netflix, provavelmente considera a série viciante, mesmo alternando pontos altos e baixos.
O fato é que a atração espanhola ostenta o título de produção de língua estrangeira mais vista desde a inauguração do serviço de streaming e tem inspirado a moda, a música e a cultura pop. Não à toa, a história de um grupo de bandidos que ocupa a Casa da Moeda espanhola para imprimir bilhões de euros sob o comando do Professor (Álvaro Morte), uma espécie de gênio do crime, conduz a diversas teorias, análises, perguntas e, claro, paralelos com situações da vida real - como técnicas para adotar no trabalho e gerenciamento de crise.
A Universa ouviu alguns especialistas em carreira sobre quais são as ideias positivas e negativas que "La Casa de Papel" apresenta às pessoas, seja qual for a sua área de atuação. Confira:

PONTOS POSITIVOS
Pessoas com habilidades, com conhecimentos variados e distintos tornam qualquer equipe mais forte. Ao recrutar o grupo de assaltantes, o Professor foi atrás de quem tivesse experiência e determinados conhecimentos para compor um time coeso, onde um completa o outro. Assim, cada um poderia atuar bem numa determinada função necessária para o assalto. Para quem ocupa um cargo de chefia, extrair o melhor de cada membro da equipe é uma atitude que pode gerar bons resultados.
Ter um mentor ajuda muito. Nem sempre as pessoas têm consciência dos próprios talentos e da melhor forma de aproveitá-los. E ficam empacadas, anos a fio, sem usar o que têm de melhor, sem potencializar a carreira e o desenvolvimento profissional. Contar com a orientação de um mentor como o Professor ajuda não só a descobrir e a valorizar as competências como aquilo que mais gosta de fazer e os diferenciais que guarda na manga.
Planejamento estratégico é fundamental. Visão sistêmica também. Além de planejar bem cada passo do golpe, o Professor também avaliou vários cenários distintos. Com isso, pôde antecipar situações e se preparar para lidar com imprevistos. Aqui cabem algumas perguntas: o quanto planejamos assim, de forma detalhada, nossas carreiras? Temos clareza de nossas metas e dos passos necessários para alcançá-las ou ficamos nas mãos de terceiros ou das empresas em que trabalhamos?
Conhecer bem a empresa em que está ou onde planeja trabalhar é fundamental. No esconderijo em Toledo, o "Professor" mantinha uma maquete bem detalhista da Casa da Moeda. E também sabia os nomes, cargos, hábitos e atividades de cada funcionário do local. Manter o senso de observação bem aguçado e estudar minuciosamente como a linha de atuação da empresa, bem como conhecer quem possui cargos-chave, são passos certeiros para quem deseja uma carreira calcada no sucesso.
Assumir riscos calculados pode gerar bons resultados. Em diversos momentos, o Professor colocou seus pupilos - e a si mesmo também - em circunstâncias bem tensas, mas sempre com objetivos definidos em mente, como captar informações da polícia e ter uma visão mais clara sobre como e quando a inspetora Raquel (Itziar Ituño) pretendia agir. Num paralelo com a rotina numa empresa, as pessoas podem não só estudar e ler para captar tendências e mudanças no mercado, como se precaver sobre possíveis perrengues.
Treinamentos são fundamentais para ampliar a visão do todo e adquirir novas competências. O time foi treinado durante meses, tempo necessário para ampliar o repertório de habilidades e conquistar mais aprendizado. Fica a lição: buscar o aprimoramento sempre, até mesmo de coisas que não têm a ver com sua área.
PONTOS NEGATIVOS
As relações humanas são imprevisíveis. Por mais metódico e rigoroso que o Professor tenha sido durante o treinamento do grupo, inclusive proibindo de manterem qualquer tipo de relacionamento mais estreito e profundo, o ser humano é movido pelas emoções e volta e meia tem condutas inesperadas. Tóquio (Úrsula Corberó) e Rio (Miguel Herrán) se envolveram, Denver (Jaime Lorente López) não teve sangue frio para matar Mónica (Esther Acebo) e o próprio Professor, na companhia de Raquel, se deixou levar pelo chamado do desejo. A mensagem é clara: quando a emoção suplanta a razão, a competência e o traquejo profissional acabam sendo prejudicados. É extremamente valioso construir relações de proximidade e confiança com os colegas, mas a intimidade excessiva pode desandar tudo.
Quem está no comando deve ser congruente. Se o chefe ou a pessoa que estão à frente de um projeto estabelecem certas regras ou comportamentos, precisam segui-los também. Exemplo? O professor determinou que não houvesse envolvimento emocional entre os bandidos e ele mesmo sucumbiu à tentação. Berlim (Pedro Alonso), no comando da operação, sabia que a vida de todos os reféns devia ser poupada e ordenou a execução de Mónica. E por aí vai.
Empatia vale ouro. Por mais que uma situação profissional exija jogo de cintura ou até mesmo uma boa dose de frieza, praticar a empatia é essencial para que tudo corra bem para a empresa e os envolvidos. Berlim não é nada empático, muito pelo contrário: amedronta as pessoas sempre que possível e adora fazer joguinhos de poder e atiçar os nervos dos colegas. E mais: centralizador ao extremo, desconsidera a opinião alheia mesmo ciente de que seus planos não trarão os resultados desejados.
A resiliência precisa ser trabalhada sempre. Em muitos momentos, em função da pressão e de todo o contexto do assalto, os personagens se desestabilizam e deixam de seguir o plano estratégico estabelecido. Eles apresentaram atitudes incoerentes e poucos racionais, quando comparadas ao treino recebido. Por mais que o Professor tenha previsto que isso poderia acontecer, algumas situações saíram do controle. A capacidade de se adequar aos momentos pesados deve ser aprimorada diariamente, já que em qualquer carreira as circunstâncias e a alta pressão podem levar ao desvio das metas - e até a um erro de percurso. A falta de inteligência emocional de Tóquio, por exemplo, mais de uma vez coloca o grupo e o plano do Professor em risco.

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