sábado, 7 de abril de 2018

BRF E A MUDANÇA NO CONSELHO.

Prejuízo bilionário levou a pressão por saída de Diniz do comando na BRF

Empresário está na presidência do conselho de administração da companhia há 5 anos; prejuízo bilionário aumentou pressões de acionistas por troca de comando.

Por Darlan Alvarenga, G1
 
Abílio Diniz, em imagem de 2013 (Foto: Simone Cunha/G1)Abílio Diniz, em imagem de 2013 (Foto: Simone Cunha/G1)
Abílio Diniz, em imagem de 2013 (Foto: Simone Cunha/G1)
A BRF, a dona das marcas Sadia e Perdigão, anunciou a indicação do ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Luiz Fernando Furlan para substituir a Abilio Diniz como presidente do Conselho de Administração da gigante de alimentos, de acordo com fato relevante enviado pela empresa aos acionistas na sexta-feira (6). Diniz está na presidência do colegiado desde abril de 2013.
A possível saída do empresário do conselho havia sido noticiada pelo jornal Valor Econômico em meio a pressão de acionistas insatisfeitos pela sequência de prejuízos e dúvidas sobre a capacidade da companhia retomar a rentabilidade em meio ao elevado endividamento.
A BRF já havia convocado uma assembleia de acionistas extraordinária, em 26 de abril, para decidir pela eventual troca do conselho de administração da empresa.
Os fundos de pensão Previ e Petros, sócios da BRF, defendem desde fevereiro a destituição de todos os membros do Conselho de Administração. O novo colegiado deve ser eleito em assembleia de acionistas marcada para 26 de abril.
A Petros é o maior acionista da BRF, com 11,41% do capital da empresa, enquanto a Previ tem 10,66% da fatia. Já a Tarpon, fundo que apoiou a indicação de Abilio ao conselho da BRF, é dono de 7,26% da empresa. Abilio adquiriu em 2013 cerca de 4% da BRF, após ser colocado à frente do conselho.
Maior exportadora global de carne de frango, a BRF possui mais de 50 fábricas em 8 países e atua em mais de 150 países. O portfólio de produtos da companhia reúne mais de 30 marcas, incluindo, além de Sadia e Perdigão, bandeiras como Qualy, Paty, Dánica, Bocatti e Vienissima.
Composição acionária da BRF
Veja quem são os principais acionistas da empresa e qual sua participação, em %
Petros: 11,41Previ: 10,66Tarpon: 7,26Standard Life Aberdeen: 5,02Conselho de Administração: 5,07Diretoria: 0,02ADR (ações na bolsa americana): 9,63Ações em tesouraria: 0,16Outros: 55,77
Fonte: BRF

Entenda a crise

No dia 25 de fevereiro, a Petros (fundo de pensão da Petrobras), em conjunto com outros acionistas da BRF, pediu a convocação de uma assembleia geral extraordinária para votar a destituição de todos os membros do conselho de administração. Em seguida, apresentaram uma chapa com 10 nomes para concorrer ao conselho de administração da empresa.
Na ocasião, Diniz criticou a postura dos fundos de pensão, afirmando que "não houve espaço para o diálogo. Em meio à crise aberta pela insatisfação dos planos pensão, o vice-presidente de operações globais, Hélio Rubens Mendes dos Santos Junior, renunciou ao cargo no dia 26 de fevereiro.
O que mais preocupa os acionistas é a sequência de prejuízos e o aumento do endividamento.
A BRF fechou 2017 com prejuízo líquido de R$ 1,1 bilhão, após já ter registrado perdas de R$ 372 milhões em 2016. Somente as perdas decorrentes das investigações da Carne Fraca somaram R$ 363 milhões no ano passado, segundo a companhia, em meio à suspensão temporária da importação de carne brasileira por vários países.
No ano passado, a receita líquida da BRF totalizou R$ 33,5 bilhões, uma queda de 0,8% se comparado ao ano anterior. A maior queda foi registrada na divisão internacional, cuja receita somou R$ 8,5 bilhões, o que representou um recuou de 11,8% ante o ano anterior (R$ 9,6 bilhões).
Últimos resultados anuais da BRF
Em R$ bilhões
1,0621,0622,2252,2253,1113,111-0,372-0,372-1,125-1,12520132014201520162017-2-101234
Fonte: Economatica
Já a dívida total líquida encerrou 2017 em R$ 14,205 bilhões, alta de 18% em relação ao ano anterior e mais do que o dobro do que a registrada no final de 2013 (R$ 6,59 bilhões), segundo dados da Economatica.
No ano, os papéis da BRF acumulam desvalorização de quase 40%. Em valor de mercado, a companhia encolheu R$ 10,9 bilhões somente neste ano. Segundo dados da provedora de informações financeiras Economatica, a empresa valia na bolsa R$ 18,78 bilhões no fechamento do dia 3 de abril ante máxima de R$ 54,5 bilhões no final de 2014.

Alvo de investigações da PF

Como se não bastassem os problemas financeiros, a BRF foi alvo no início de março de uma nova fase da operação da Polícia Federal, batizada de Operação Trapaça, que prendeu o ex-diretor-presidente global da companhia Pedro de Andrade Faria.
As investigações apontaram que 5 laboratórios credenciados ao Ministério da Agricultura e setores de análises da BRF fraudavam resultados de exames em amostras de processo industrial. As unidades investigadas pela operação tiveram suspensas as exportações para os 12 destinos.
Em comunicado divulgado na ocasião, a BRF afirmou que "segue as normas e regulamentos brasileiros e internacionais referentes à produção e comercialização de seus produtos, e há mais de 80 anos a BRF demonstra seus compromissos com a qualidade e segurança alimentar, os quais estão presentes em todas as suas operações no Brasil e no mundo”.
Evolução do valor de mercado da BRF
Em R$ bilhões
42.51642.51654.55754.55744.30744.30738.55238.55229.68729.68718.77718.7772013201420152016201703/04/2018010k20k30k40k50k60k
Fonte: Economatica

Trajetória de Abilio

O empresário assumiu o conselho da BRF elencando como prioridade a internacionalização da companhia. Ele também prometia usar sua experiência no varejo de alimentos para aprimorar o processo de distribuição da BRF.
Na ocasião, ele disse estar especialmente motivado pelo desafio de trabalhar em outra empresa após décadas.
"Nunca fiz nada de importante profissionalmente que não fosse dentro do Pão de Açúcar", afirmou.
Durante seus primeiros anos à frente da BRF, Diniz ainda teve que lidar com a perda de mercado em algumas categorias como consequência das restrições do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para aprovar o acordo de fusão entre a Sadia e Perdigão.
A Perdigão só pode retornar ao mercado de salames, por exemplo, em 2015. O último embargo caiu em meados de 2017, com a liberação do retorno da lasanha da Perdigão aos mercados. Com o fim das restrições, a BRF anunciou em janeiro de 2018 o lançamento de uma nova marca: a Kidelli, de alimentos processados, voltada para a população de renda mais baixa e que vai usar sobras de produção das outras marcas do grupo.
Desde 2014, Diniz também é acionista do Carrefour e do Carrefour Brasil.
Evolução do endividamento da BRF
Dívida líquida total, em R$ bilhões
6.5936.5934.9944.9949.0819.08111.98311.98314.20514.2052013201420152016201702,5k5k7,5k10k12,5k15k

2017
14.205
Fonte: Economatica




A MUDANÇA : 


Conselho da BRF indica Luiz Fernando Furlan para substituir Abilio Diniz na presidência

Luiz Fernando Furlan é acionista da BRF e ex-presidente da Sadia, comprada pela Perdigão em 2009 para a formação da empresa atual, líder mundial em produção de proteína animal.


Por Reuters
 


Luiz Fernando Furlan (Foto: Darlan Alvarenga/G1)Luiz Fernando Furlan (Foto: Darlan Alvarenga/G1)
Luiz Fernando Furlan (Foto: Darlan Alvarenga/G1)
O Conselho de Administração da BRF, maior exportadora de aves do mundo, indicou na sexta-feira (6) o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Luiz Fernando Furlan para substituir a Abilio Diniz como presidente do colegiado, de acordo com fato relevante enviado pela empresa aos acionistas.
O anúncio, feito após dois dias de reuniões finalizadas na sexta-feira, é uma grande derrota para Abilio Diniz, que se juntou à empresa em 2013, após comprar uma parte relevante das ações por meio da sua empresa de investimentos, a Península Participações.
O Conselho da BRF aceitou formar uma lista alternativa de indicações para a presidência e outros membros do conselho, a ser apresentada em assembleia-geral no dia 26 de abril, depois que importantes acionistas, como os fundos de pensão Previ e Petros, pediram a saída de Diniz e outras mudanças no órgão.
A empresa teve um prejuízo de R$ 1 bilhão no ano passado, em decorrência de perdas por causa da operação Carne Fraca, que apontou supostas propinas para que fiscais sanitários fizessem vista grossa a problemas na qualidade das produções.
O escândalo causou fechamento de fábricas, restrições de exportação e uma crise geral no gerenciamento da empresa. Em novembro, a BRF escolheu um novo CEO, José Drummond, para liderar uma reforma da companhia, em substituição a Pedro Faria, que chegou a ser preso temporariamente no curso das investigações.
Diniz chegou ao grupo depois que sua família vendeu grande parte da Companhia Brasileira de Distribuição para o grupo francês Casino. Ele também é um grande acionista do grupo varejista Carrefour e membro do conselho da empresa na França e no Brasil.
Luiz Fernando Furlan é acionista da BRF. Ele é ex-presidente da Sadia, comprada pela Perdigão em 2009 para a formação da empresa atual, líder mundial em produção de proteína animal.
Furlan também foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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