segunda-feira, 21 de março de 2016

BRASIL E A IMPRENSA INTERNACIONAL.


Presidente Dilma Rousseff na capa do jornal The New York Times© VEJA.com Presidente Dilma Rousseff na capa do jornal The New York Times


O jornal The New York Times (NYT) traz em sua manchete nesta segunda-feira uma reportagem especial sobre a crise política brasileira. Os textos, assinados pelo correspondente Simon Romero, descrevem a Operação Lava Jato e relacionam os escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras e figuras centrais do governo com a crise política que afeta a governabilidade. Abaixo da chamada principal (Como a teia de corrupção enredou o Brasil, em tradução literal), ilustrada com uma grande foto da presidente Dilma Rousseff, há ainda imagens do senador Delcídio do Amaral (sem partido - MS) e do ex-presidente Lula.
O jornal americano entrevistou o senador e explicou seu papel como um dos protagonistas da crise política. Delcídio, ex-líder do governo no Senado, foi preso acusado de obstrução da Justiça e fez um acordo de delação premiada para diminuir sua pena. Em seu depoimento, ele implicou a presidente Dilma e outros políticos do PT nos desmandos na Petrobras. O texto do NYT cita que as delações de Delcídio atingiram não apenas figuras do PT como também de outros partidos, como o vice-presidente Michel Meter (PMDB) e o senador Aécio Neves (PSDB-MG)
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Uma das reportagens relata a sensação de "pânico no Partido dos Trabalhadores", mencionando gravações de políticos da legenda, como o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e o ministro-chefe do gabinete pessoal de Dilma, Jaques Wagner. Os casos envolvendo o ex-presidente Lula, como as reformas pagas por empreiteiras em um sítio em Atibaia e a compra de um tríplex no Guarujá também são citados.
Seriado - O jornal americano levou a crise política brasileira a um passo além nas comparações com seriados. O atual quadro político brasileiro é frequentemente comparado às tramas do seriado House of Cards, que narra os bastidores sórdidos de Washington. Para o NYT, porém, o enredo político nacional se parece mais com Game of Thrones - série que narra a violenta disputa pelo poder em um mundo fictício.
(Da redação)

Poder











Revista 'Fortune' coloca Sergio Moro como um dos grandes líderes mundiais

Paulo Lisboa/Folhapress
CURITIBA, PR, BRASIL, 17-03-2016, 20h035: O juiz federal Sérgio Moro durante o seminário sobre combate à lavagem de dinheiro na noite desta quinta-feira (17) em Curitiba no Bourbon Convention Hotel. (Foto: Paulo Lisboa/Folhapress, Politica)
O juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, em seminário em Curitiba
A revista americana "Fortune" incluiu o juiz federal Sergio Moro entre os maiores "líderes" capazes de transformar o mundo.
A publicação afirma que Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, lidera um caso que vem colocando no passado "a longa endemia da corrupção pela América Latina".
O juiz é o 13º na lista, de 50 nomes. Ao lado dele, estão nomes como o papa Francisco, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente argentino Maurício Macri.
A revista afirma que a Lava Jato ameaça a presidente Dilma Rousseff de impeachment e abalou a reputação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para a "Fortune", Moro é "protagonista de uma edição real de 'Os Intocáveis'", em referência ao filme e ao livro que narram a perseguição ao gângster Al Capone (1899-1947). 





Moro é considerado pela 'Fortune' o 13º maior líder mundial




O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, é considerado pela revista norte-americana Fortune como o 13º principal líder mundial em lista de 50 nomes que inclui também o papa Francisco (4º), a premiê alemã Angela Merkel (2ª) e o fundador da Apple, Jeff Bezos (1º).
O juiz paranaense aparece logo à frente do vocalista do U2, Bono Vox (14º), e dos astros da NBA Stephen Curry e Steve Kerr (15º). Além disso, Moro está melhor do que o presidente da Argentina, Mauricio Macri (26º), e o apresentador americano John Oliver (30º).
Sérgio Moro é considerado pela 'Fortune' o 13º maior líder mundial: Sérgio Moro é responsável pelas decisões referentes à Operação Lava Jato© Fornecido por Estadão Sérgio Moro é responsável pelas decisões referentes à Operação Lava Jato Confira abaixo a lista completa da Fortune:
1 - Jeff Bezos
2 - Angela Merkel
3 - Aung San Suu Kyi
4 - Papa Francisco
5 - Tim Cook
6 - John Legend
7 - Christiana Figueres
8 - Paul Ryan
9 - Ruth Bader Gingsburg
10 - Sheikh Hasina
11 - Nick Saban
12 - Huateng 'Pony' Ma
13 - Sergio Moro
14 - Bono
15 - Stephen Curry e Steve Kerr










Lula vem para o governo de um jeito ou de outro, afirma Dilma







Gregg Newton/Reuters
Brazil's President Dilma Rousseff takes a selfie with a man after a meeting with jurists at Planalto Palace in Brasilia, Brazil, March 22, 2016. REUTERS/Gregg Newton EDITORIAL USE ONLY. NO RESALES. NO ARCHIVE TPX IMAGES OF THE DAY ORG XMIT: BSB110
Presidente Dilma Rousseff tira selfie em evento com juristas contra o impeachment na última terça (22)


Em entrevista a seis veículos estrangeiros nesta quinta (24), a presidente Dilma Rousseff afirmou que o ex-presidente Lula vai participar de seu governo de qualquer forma, seja como ministro ou assessor.
"Ou ele vem como ministro ou vem como assessor, de uma maneira ou de outra. Vamos trazê-lo para ajudar o governo. Não há como impedir", disse a presidente, segundo o jornal espanhol "El País".
"Lula não é apenas um negociador talentoso, mas entende também todos os problemas do Brasil", disse a petista.
Sobre a acusação de que nomeou Lula para livrá-lo do risco de prisão na investigação da Lava Jato em primeira instância, em Curitiba, a presidente indagou aos jornalistas: "O Supremo não é bom o suficiente para investigar Lula?".
"Vamos supor que venha ao governo para se proteger: que proteção mais esquisita, na verdade, porque um ministro não está protegido. Ao contrário, é investigado pelo Supremo Tribunal Federal. E os 11 ministros [do Supremo] não são melhores nem piores que um juiz de primeira instância. O que acontece é que Lula iria fortalecer meu governo, e os partidários do 'quanto pior, melhor' não querem que isso ocorra".
Dilma voltou a negar a possibilidade de renunciar, falou em golpe e afirmou que não há base legal para a aprovação de seu impeachment pelo Congresso.
"Não estou comparando o golpe aqui com os golpes militares do passado, mas isso [impeachment] seria uma ruptura da ordem democrática do Brasil", afirmou a presidente, segundo o jornal britânico "The Guardian".
CICATRIZES
Ela disse ainda, de acordo com o jornal, que seu afastamento teria "consequências" e deixaria "cicatrizes profundas" na vida política brasileira.
"Por que querem minha renúncia? Por que sou uma mulher fraca? Não sou", respondeu Dilma, segundo relato do "Guardian". Ela frisou que aqueles que pedem sua renúncia querem, na verdade, evitar a dificuldade em remover "ilegalmente" do poder um presidente eleito legitimamente.
A petista afirmou, segundo o americano "The New York Times" que vai apelar de todas as maneiras legais possíveis para barrar o impeachment. Segundo ela, há falta de "bases legais" para o processo no Congresso.
Na entrevista, destacou que o pedido de afastamento tem sido conduzido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), envolvido em escândalos de propina e lavagem de dinheiro.
'DURMO BEM'
A presidente afirmou ainda que não é "agradável" ser vaiada em protestos nas ruas e disse que não é uma pessoa "depressiva": "Eu durmo bem à noite".
Segundo o "Guardian", Dilma aparentava tranquilidade na conversa, que durou uma hora e meia. O único momento em que mostrou irritação, diz o jornal, foi quando comentou a divulgação da gravação telefônica dela com Lula, gravada pela Polícia Federal com autorização do juiz Sérgio Moro.
A presidente disse que a "violação de privacidade" infringe a democracia porque invade, na avaliação dela, o direito à vida privada de cada cidadão. Sem citar Moro, Dilma afirmou que um juiz deve ser "imparcial", sem decidir com "paixões políticas".
Além de "El País", "The New York Times" e "The Guardian", os outros veículos que a entrevistaram foram "Le Monde" (França), "Página 12" (Argentina) e "Die Zeit" (Alemanha). Todos os seis se situam no espectro da centro-esquerda. 

ECONOMIA.

Estudo indica que atraso econômico do Brasil aumenta risco de protestos




O atraso econômico do Brasil em relação a nações desenvolvidas, como os Estados Unidos, aumenta a probabilidade de haver tensões sociais -como os recentes protestos contra e a favor do governo Dilma Rousseff- no país.
"Acho que o Brasil é um bom exemplo de como a incapacidade de emergir do atraso econômico devido à incompetência política pode ameaçar a paz e a estabilidade", disse à Folha a pesquisadora Christa Brunnschweiler, da Universidade de East Anglia (Reino Unido).
Brunnschweiler e a acadêmica Päivi Lujala, da Universidade de Tecnologia da Noruega, são autoras de estudo inédito sobre como o atraso econômico relativo aumenta a probabilidade de manifestações violentas e pacíficas ("Economic Backwardness and Social Tension").
Segundo as pesquisadoras, isso ocorre porque os cidadãos de um país comparam seu padrão de vida com o de outras nações.
O trabalho -que será apresentado nesta segunda-feira (21) durante a conferência anual da Royal Economic Society, no Reino Unido- usa a renda per capita dos países em relação à norte-americana como medida do atraso relativo de determinada nação.
Essa comparação é muito usada na literatura econômica como indicador do nível de desenvolvimento das diferentes nações.
A pesquisa analisa ainda bancos de dados que registram protestos pacíficos e violentos. No total, informações e estatísticas de 163 países foram examinadas, para o período de 1946 a 2011.
O cruzamento de dados feito pelas acadêmicas mostra que, quanto maior o atraso econômico de um país em relação aos EUA, maior a probabilidade da emergência de demonstrações de massa por mudanças de regime e até de conflitos civis armados.
Os resultados revelam ainda que o impacto do atraso econômico sobre o risco de erupção de protestos violentos e pacíficos tem aumentado nas últimas décadas.
Segundo as autoras, isso é coerente com a descoberta de outros estudos que mostram que, com a globalização, a percepção que os cidadãos de um país têm do padrão de vida em outras nações cresceu.
As pesquisadoras ressaltam que isso não significa que o atraso econômico seja o principal gatilho de protestos e tensão social, mas que é um elemento importante.
ATRASO BRASILEIRO
Segundo Brunnschweiler, durante todo o período analisado o atraso econômico do Brasil foi maior do que o da média da América do Sul. Isso significa que o risco de tensão social no país supera o da média da região.
Num cenário hipotético, em que a renda per capita brasileira fosse igual à americana no período estudado pelas pesquisadoras, o risco de movimentos de massa não violentos no país diminuiria seis pontos percentuais.
Brunnschweiler explica que se trata de um efeito significativo, já que protestos não violentos são eventos raros.
"A chance média de um país ter um movimento de massa não violento no período era de apenas 1,2%", afirma a pesquisadora.
CONVERGÊNCIA
No fim da década de 1970, o Brasil parecia caminhar para uma convergência com o padrão de vida de países desenvolvidos. A renda per capita brasileira, medida em PPC (paridade do poder de compra), atingiu 38% da norte-americana em 1980.
Mas esse percentual não se sustentou nas décadas seguintes. Em 2015, a relação era de 28%, segundo o Fundo Monetário Internacional, que calcula que o padrão de vida do brasileiro ficará estacionado nesse patamar, pelo menos, até 2020.
A Coreia, exemplo muito citado de país que tem se desenvolvido, viu sua renda per capita (em PPC) saltar de apenas 17% da americana em 1980 para 67% em 2015.
Segundo Brunnschweiler, a corrupção acentua o efeito do atraso econômico sobre as tensões sociais pois é um obstáculo ao desenvolvimento:
"As pessoas estão cientes de seu atraso, mas são incapazes de alcançar [um padrão de vida de país avançado] porque a corrupção bloqueia o acesso delas a recursos. Então a frustração aumenta", afirma Brunnschweiler. 

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